As lições da catarinense Decora, que ganhou o mercado mundial gerando inovação no mercado de ambientes de decoração
27 de julho de 2018

As lições da catarinense Decora, que ganhou o mercado mundial gerando inovação no mercado de ambientes de decoração

As lições da catarinense Decora, que ganhou o mercado mundial gerando inovação no mercado de ambientes de decoração
Muitos moradores de Florianópolis provavelmente nem fazem ideia que uma empresa local, criada por dois jovens estudantes há pouco mais de cinco anos, se tornou a maior produtora de imagens geradas por computador (CGI) do mundo, especializada na criação de ambientes 3D para decoração. Trata-se da Decora, fundada pelos amigos e colegas de faculdade Gustavo do Valle e Paulo Orione em 2012 e que no início de 2018 foi vendida para a norte-americana Creative Drive em uma negociação de aproximadamente US$ 100 milhões. 
 
Recentemente, a Decora mudou seu nome e marca para Cora CGI e passou a integrar-se em definitivo ao portfólio da Creative Drive, uma holding que administra 150 estúdios de criação de conteúdo para marcas como Nike e Victoria’s Secret, entre outras. 
 
Mas por trás da história de uma das maiores negociações de uma startup brasileira - e do crescimento de uma empresa que hoje emprega 150 pessoas em Florianópolis e gerencia uma comunidade de quase 500 designers que atuam como freelancers em outros países - está uma série de aprendizados, erros e acertos, que mostram como é possível gerar inovação no mercado de decoração e design usando tecnologia. E ganhar o mundo mesmo com a base numa cidade de médio porte no Sul do Brasil. 
 
A partir desta trajetória - contada pelo jornalista Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, que cobre o setor de empreendedorismo, inovação e tecnologia no estado - destacamos algumas dicas para os leitores do blog do Shopping Casa & Design:  
 
#1 - A primeira ideia, conectar arquitetos e clientes, era muito boa. Mas não era economicamente viável. 
 
Tudo começou com a ideia de uma plataforma para conectar arquitetos e clientes. “Quando eu e o Paulo começamos, a ideia era buscar um mercado que estava em crescimento mas que não tinha inovação. Pesquisamos várias áreas e notamos que o setor de arquitetura e decoração, que vinha em expansão naquela época, seria o ideal. Queríamos testar e, se fosse pra falir, que fosse rápido”, lembra Gustavo do Valle. Assim surgiu a plataforma em que arquitetos poderiam oferecer projetos de decoração online. A iniciativa foi bem-sucedida, mas não se sustentava economicamente. Com mais de 3 mil profissionais na base, ajudou a levar projetos tanto para casas muito simples quanto para apartamentos de luxo, mas o faturamento mensal médio não passava dos R$ 6 mil. 
 
# 2 - Mudança de planos: "vamos fazer parceria com grandes varejistas". Não foi desta vez, de novo.
 
Como é comum no ambiente de startups, a saída para quando um projeto não vai adiante é "pivotar", ajustar a rota. A ideia então foi trocar o mercado de consumidores para oferecer o potencial da plataforma para grandes varejistas (B2B). “Os arquitetos colocavam muitos produtos de varejistas nos projetos. Pensamos então em vender direto para eles: quem compra um sofá na loja online ganha um projeto de decoração. Assim poderíamos ganhar tráfego na plataforma”, recorda Gustavo. Uma ótima ideia, em princípio, que foi comprada por empresas como Magazine Luiza e a catarinense Cassol. Mas que, novamente, não vingou. “As ofertas foram ao ar, mas nada aconteceu. Vieram poucos projetos e pra gente foi um grande baque”. 
 
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#3: Eureka! Não vamos vender projetos de decoração, mas sim ambientação de produtos
 
Se por um lado eles não tinham dinheiro, por outro tinham acesso a clientes importantes. E esses clientes tinham suas dificuldades de mercado, que a Decora estudou e foi atrás para oferecer a solução. Era o caso da ambientação de produtos. "Nos projetos, os arquitetos criavam imagens muito bonitas com os produtos e os varejistas queriam comprar essas imagens para colocar no site. A dificuldade deles era justamente tirar boas fotos, um processo caro e nada escalável”. Foi quando entrou a solução de tecnologia: um software que, a partir de uma foto simples do produto, permitia a reprodução dele em 3D, pronta para ser aplicada de qualquer maneira em um material promocional. Isso permitiu uma produção muito maior de ambientes a um custo significativamente menor do que da maneira tradicional. 
 
#4: O que é bom e escalável pode ser aplicado em qualquer mercado do mundo, até no mais exigente deles, os EUA.
 
Com a crise batendo no Brasil em 2015, a saída foi buscar o mercado externo. “Um dos nossos sócios, que entrou depois no negócio, foi morar em Miami e participamos de um programa do Sebrae, o Exporta SC. Fechamos com um grande cliente e reservamos uma grana para investir em feiras lá nos EUA durante quatro meses. Deu certo e no final daquele ano já estávamos capitalizados para crescer no mercado americano sem precisar de investidor”, lembra Gustavo. Hoje, mais de 90% do faturamento da empresa vem de contratos dos Estados Unidos. Quando foi vendida para a Creative Drive, a Decora contava com cinco sócios, além dos primeiros fundadores: Rodrigo Griesi, Rafael Assunção e Daniel Smolenaar. 
 
#5: OK, viramos referência. Mas pode ser que surjam outros mais inovadores e nos tirar do mercado.  
 
Da mesma forma como eles mudaram o jogo e se reinventaram várias vezes num curto período de tempo, os empreendedores sabem que um novo player pode aparecer nos próximos anos e bagunçar o mercado em que eles começam a dominar. “Hoje somos o maior player de imagens em 3D, mas a tecnologia muda muito rápido. Pode ser que daqui a um ou dois anos a gente nem exista mais, ou que surja alguém fazendo melhor e mais rápido. Enquanto isso, estamos muito focados em desenvolver novos produtos", resume o fundador.
 

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